domingo, 26 de abril de 2009

Coração Quebrado.

Minha vida anda tão vazia de romantismo que nem declaração para o Imposto de Renda eu precisei fazer.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

De 2052 em diante.

Eu sou mulher.

E tomando como exemplo as do meu gênero, acho que meu maior medo de velhice não são as rugas ou ficar gagá.


Meu maior medo é ficar besta.

E os maiores exemplares estão aí para quem quiser ver:

- A Hebe depois de velha, quer dar "selinho" em todo mundo.
- A Ana Maria Braga quer se travestir.
- A Susana Vieira quer namorar os quase-netos. Nada contra, mas além disso ela anuncia isso aos 4 ventos, para quem NÃO quiser ver.

Ainda na minha juventude, penso: vou fazer o que tiver que fazer agora, porque depois não quero ser a avó chata disputando a idade com meus netos. Cada um na sua fase, cada um no seu quadrado.

Porque depois não adianta! A fase de transgressão, de revolução, definitivamente não é essa.
Lógico que uma como a Dercy Gonçalves não se encaixa nessa parcela de senhoras absurdas. Porque absurda, ela sempre foi.

O fato é que elas ridicularizam suas próprias conquistas e as conquistas femininas ao longo do tempo. Apagam todo um passado de batalhas. Tudo para parecerem um pouco louquinhas, moderninhas e rebeldes (porque no siguen a los demás).

Hoje abri a revista TPM, qual não foi a surpresa uma matéria ter esse mesmo tema. Que velhinha você quer ser?
Uma feliz coincidência, porque eu não conseguia lembrar dos bons exemplos.

Tá, citaram uma velhinha. Mas lembraram das grandes, das velhonas Hilda Hilst, Dona Canô e Zélia Gattai.

Eu quero é isso. Envelhecer com dignidade.

Respeitar fios de cabelo branco e linhas profundas no meu rosto. Quero entender meu corpo e quero estar convencida de que aquela sou eu, na versão mais perfeita do que um dia eu já fui.

sábado, 11 de abril de 2009

A Páscoa [texto rápido]

Lá na aula de religião em mil novecentos e noventa e oito, a professora carola me solta essa:

- Vocês, não-católicos, se aproveitam dos nossos feriados!

Bom, em primeiro lugar, eu não nasci por volta de mil e quinhentos, não é? Tem culpa eu que nossa terra brasilis foi invadida por portugueses odiadores do deus Tupi? Não, eu não.

Aliás, se os índios ainda fossem donos dessas fronteiras, teríamos poucos feriados como "agradecer a boa colheita" ou "pedir bastante chuva para a plantação". E é bacana, porque o que íamos querer além disso?

Aí chega a Páscoa e ninguém entende nada: sexta-feira da paixão, sábado de aleluia e domingo de páscoa. O que é o que mesmo?! Não sei dizer bem.

O que eu vejo são pessoas brigando, xingando-se entre si, quase se estapeando por chocolates em simpáticas formas de ovos. Suponho que Jesus esteja vendo isso. E Ele não está gostando, não mesmo.

E assim, os conceitos desses feriados são meio furados: paz, amor, fraternidade etc.
Não me vem com essa!
As pessoas nessas datas só conseguem odiar o próximo e fraternidade de cu é rola, pardon my french.

Então é isso: estou aproveitando os dias de folga como todo mundo e agradeço a Jesus por isso. Não sou católica, não sou cristã, mas sei que ele existiu e se ainda está na boca do povo, é que o cara é O cara mesmo. Eu não vou negar.

Também não sou negra, mas aproveito a folga que Zumbi me deu. E para ser justo, o dia do índio também merecia um feriado.

Vamos lá: comer bacalhau sei lá porquê (não é a única carne branca do mundo), comer chocolate também não sei porquê...em formato de ovos, trazidos por coelhos. Wow! O verdadeiro samba do criolo doido.

Feliz Páscoa, para os que acreditam.

E Feliz Páscoa para os que não acreditam.

Muito amor, paz e fraternidade. E agora eu tô falando sério!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Você não é (tudo) isso.

Você não é transgressor.
Você não nasceu para o que acha que tem talento.
Você faz tudo muito rápido, porém imperfeito. E isso não é uma boa qualidade, como você deve pensar.

Por favor, perceba.
Perceba-se.

Você não é 1% do que você acha que é.
Você não enxerga o que você tem de melhor. Isso porque você se imagina ainda melhor que isso. E é aí que você fracassa.

Por favor, supere.
Supere-se.

E faça uma coisa.
Faça por mim e por você:
Seja só o que você é.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Uma imagem desbotada.

Para os chineses, cada ano tem um significado. E este significado é comum para todos. Um ano lá trás foi o da fecundidade. Era o momento ideal para gerar um filho.

Talvez seja meu tempo ócio demais ou aquelas infinitas e inexplicáveis coincidências que acontecem bem na sua frente ou que se ouve falar. Sei lá. Mas para mim, 2008 é o ano do rompimento de relações amorosas.
Quanta gente terminou namoro ou casamento este ano. E ainda estamos no mês 4.


Desesperador? Jamais! Cada fim é um (re)começo, como diria qualquer cantor sertanejo.
E cada casal, ou ex-casal, encara a separação da sua maneira. Uns brigam e se esquecem, outros brigam, não se esquecem e de alguma forma continuam a alimentar a ira do fim do relacionamento. Outros concordam que realmente aquilo não servia, param de se enganar dizem tchau e boa sorte.

Mas todos os casais devem concordar em uma coisa: como é difícil apagar as lembranças. Exorcizar aquele fantasminha presente em todo lugar.


O que fazer com aquele lindo ursinho de pelúcia que segura um coração escrito I love you? Ou aquele chaveiro tão mimoso com seu nome grafado e que ele mandou fazer?

Sem contar as fotos. Se estão no computador, tem coragem de apagar? Se estão em seu álbum de formatura, eternizou de vez.
E as fotos do casamento, o que fazer? O álbum fica comigo? Fica com você? Aliás, para que guardar lembrança de algo que deixou de existir?


Rasga? Queima? Recicla? Mas vocês economizaram tanto para contratar o melhor fotógrafo, para o melhor dia de suas vidas. O que agora é r
elativo, pois você deve considerar que foi o pior dia de sua vida. Ou no máximo, o ex-melhor dia de sua vida.

Como apagá-lo da memória dos outros, justamente quando acha impossível fazer isso a você mesmo?

- Cadê Fulano?, questiona o desavisado.
- Não sei, por que não pergunta pra ele?

Daí percebe-se que o tempo passou. Voando e pra caramba.

Você não rasgou as cartas, você não queimou as fotos, e nem sequer pediu para ninguém deixar de tocar no nome dele.


Ele que desbotou na sua memória.

Ainda consegue sobreviver num passado que não dá para visualizar claramente. Como um conto, que você protagonizou, mas sabe que é de mentirinha. Porque aquela pessoa não é mais você. E aquela não é mais a sua história.

terça-feira, 25 de março de 2008

Uma chance às palavras.

Atire a primeira tecla quem nunca desconjurou àquele que repassa e-mails enormes, que impressos dariam 3 ou 4 páginas de A4.

Agora taque o teclado inteiro, de preferência em direção à minha cabeça, quem já pacientemente parou para ler um deles, que seja.
Alguns são suplicantes:

-Por favor, não me delete, leia até o fim!

E você numa suposta caridade, deixa-o lá, na sua caixa de entrada, como a dizer:

- Ok, e-mail, você pode ficar aí. Um dia, quem sabe, eu te leio.

Agora com essas contas de e-mail de armazenamento infinito, você pode deixa-lo lá por anos e nem lembrar de sua existência. Até um dia se dar conta que tem mil e-mails, centenas de não-lidos. E daí? Direto pra lixeirinha.

E aí, já era. Aquelas palavras um dia encaminhadas, desaparecem. Sem ao menos terem tido a chance de existirem para você.

Uma pena? Não pelo e-mail mas por você. Será que naquela mensagem cheia de FWDs no título não tinha nada de aproveitável?

Não sejamos tolos, sabemos que as palavras estão perdendo o seu valor há muito tempo. No Orkut não é difícil encontrar profiles avessos à literatura. Na seção "livros", comumente há declarações que me deixam cabreira, tamanha naturalidade. "Não gosto de livros", "Ler é coisa de otário" e por aí vai. Enquanto os que empenham em rechear esse conteúdo, são tachados de pseudo-intelectuais, nerds e claro, otários.

Ainda existe uma terceira espécie, os reais pseudos, que relacionam títulos que jamais passaram por suas vistas, a não ser através de qualquer resumão de curso pré-vestibular.


Afinal, o que acontece com as palavras? Deixaram de ser atraentes? São chatas, mal-amadas, enfadonhas? Deram lugar para o que não exige muito raciocínio como a TV?

Talvez seja hora de dar uma chance às palavras. Lutar contra o preconceito e agarrar-se a elas. Letra por letra, palavra por palavra, sentença por sentença. Deixar-se envolver, mergulhar na história e só parar quando os olhos cansarem.

Pegue hoje qualquer livro que sempre quis ler, mas nunca começou. Não precisa ser um best-seller ou aquela obra-prima. Selecione um livro que realmente queira ler. Fique longe de telefones, de cachorros latidores, de vizinhos barulhentos. Coloque uma música gostosa de ouvir, mas não aquela que você ama, pode tirar a concentração.

Na praia, no parque, no banheiro, no ônibus...as palavras estarão esperando por você.

Dê-se esta chance.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Maldade começa com M de MSN



Eu diz:
A Clara* deixou de ser lésbica

Irmão diz:
haha
Eu diz:
mas o namorado é feio
Irmão diz:
viu no orkut?
Eu diz:
tou fuçando agora
Irmão diz:
ela não é lésbica
Irmão diz:
ela é carente
Eu diz:
and bisexual
Irmão diz:
sorte dele

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* nome alterado

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vovó não é mais a mesma.

Vânia sorrateiramente tampa os olhos de sua avó:

- Adivinha quem é?

- Maria!
- Não.
- Então, Camila?
- Não.
- É o Jorge!
- Não.
- Eustáquio?
- Caramba! Minha voz é de mulher, não percebeu?!
- Tá me chamando de surda?


Vânia, descrente:

- Então vai, de novo, mais uma chance.
- João? Não. Marisa?

Destampa os olhos, em desistência:

- Pô, vó...
- Sabia que era você, você, uhmmm...

- Vânia, vó. Meu nome é Vânia!
- Isso! Tânia! Tinha CER-TE-ZAB-SO-LU-TA que era você.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A evolução decadente do tempo.


Às vezes acho que o tempo está me passando pra trás.

Não me sinto à vontade com os 25 anos. Meu rosto e corpo já apresentam sinais da idade que minha mente não consegue acompanhar. Meus amigos estão casando, fazendo filhos e eu ainda acho tão cedo. É cedo?

Quando atingir 25 anos, pensava, serei tão decidida quanto minha mãe, tão responsável como meu pai, e também não pensaria em tantas bobagens. Mas minha cabeça agarra-se em resquícios adolescentes. Ainda suspiro com romances ideais, ainda lembro dos 15 eternos dias na Disney, ainda acho que trabalhar é um negócio novo e apavorante.

O tempo passou. O bebê que nascia há 10 anos atrás hoje se torna meu afilhado.

Estamos todos mudados. Quem já era crescido, envelhece. Quem era pequeno, perde a inocência da infância. Quem era velho, morre.

E tenho a triste impressão que nunca vou conseguir me acostumar com isso.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Por favor, que horas são?

Meu celular marca 22h30. O seu 23h30.

Provavelmente o meu está certo, não é? O meu deve mudar automaticamente para o horário de verão. Vamos mudar o seu também, ok?

Mas antes, vamos conferir na internet. Sim! São 22h30.

Mais uma hora de sono! Perfeito pra fechar esse feriado com chave de ouro. Coloca pra despertar umas 9h, já que é seu rodízio, a gente sai umas 10 e você me leva pro trampo.

Dorme, acorda, dorme, acorda. Amor, já tá claro o dia...será que não perdemos a hora?
- Não, são 7 horas, pode dormir.

7h, 8h...

Despertador sempre pontual, toca às 9h como combinado. Levanto com a preguiça de 2ª feira para um banho demorado. Devia ir rápido porque depois é a vez dele.

O celular toca. É do trabalho:

- Aconteceu alguma coisa?
- Por quê?
- São 11 horas.
- ... 11 HORAS?!

Confere de novo na internet. São 10 ainda. Aff, a coitada entrou mais cedo e ainda quer me acelerar!

Sossego na incerteza, mas ainda ligo pra casa:


Que horas? 11?

São 10 horas, pode acreditar - dizia ele. Liga pro 103. Mas esse telefone nem existe mais!

- Tá, logo mais a gente passa por um relógio de rua.

19°C, 19° C, 19°C, abre o farol, 19° C, vira a cabeça, 19° C, 19...

Pelo menos temperatura não adere ao horário de verão. Ow, motoqueiro, estamos no horário de verão?

- Sim!

- Epa, valeu!

- São 11 horas.

- Putaqueopariu...até tu?

Bom chefe, essa é mais uma história do porque eu estar atrasada, digamos, pra cacete. Sabia que o horário daquele site era o horário que marcava no PC, ou seja, o errado?

Perdão, mas essa o senhor vai ter que entender.